sábado, 11 de dezembro de 2010

Recordações!!





Não dormi nada essa noite, muito inquieta, acordando de 1h em 1h para fazer xixi e o dia parecia que não ia amanhecer. Ao acordar, me senti nostálgica, sensível, com vontade de chorar! Lembrei muito do meu pai e do meu avô. Não sei o porquê, mas lembranças deles me vieram na mente como um turbilhão... então resolvi escrever esse post para falar um pouco deles e Kamille saber um pouco mais sobre o seu avô e seu bisavô.

Meu pai:
Meu pai chamava-se Milton e trabalhou a vida inteira como Agente Fiscal do Estado, estando aposentado quando faleceu. Quando meu pai conheceu minha mãe, ele era casado e com cinco filhos já criados. [Vale salientar a diferença de idade entre eles: 30 anos!] Logo veio a notícia de que minha mãe estava me esperando e meu pai passou a morar com ela. Sete anos depois, veio meu irmão, Massilon, e somos apenas dois filhos. Ele (meu pai) sempre gostou muito de farrar, beber, fumar... até que a idade foi avançando e foi obrigado a deixar esses vícios, que só o prejudicavam. Houve uma época em que ele tomava 20 comprimidos diários, devido a tantos problemas de saúde que ele adquiriu: insuficiência renal, hipertensão, insuficiência cardíaca, diabetes, próstata... e assim vai!
No final de 1998, meu pai começou a ficar mais no hospital do que em casa. Em maio de 1999 foi meu aniversário de 15 anos, que ninguém queria fazer, mas que por muita insistência dele, acabou acontecendo. Foi uma festa linda... chorei muito! O mês de dezembro do mesmo ano, ele passou mais no hospital do que em casa, até que no dia 20 ele teve alta. Estávamos felizes, pois iríamos passar o natal juntos. Só que no dia 24 ele teve uma recaída, e eu e minha mãe passamos a noite em claro com ele (meu irmão tinha apenas oito anos na época e minha mãe só tinha a mim para ajudá-la). Foi o pior Natal que já passei em minha vida... eu chorava, com medo de que o pior acontecesse. No dia 25 ele foi internado já em coma e só tornou no dia 6 de janeiro de manhã – a melhora da morte, como muitos falam – pois à tarde, ele faleceu. Daí meu mundo desabou... eu tinha apenas 15 anos e sem meu porto seguro, meu ombro amigo, meu braço forte, meu pai, meu herói! Fiquei sem saber que rumo nossas vidas tomariam a partir dali.
Foi a pior dor que já senti até hoje... nem quando tive que expelir dois cálculos renais doeu tanto! A partir de então, eu nunca mais soube o que é Natal, nem Ano Novo. Sempre passamos com a família, mas em meu coração sempre um vazio enorme.

Meu avô:
Meu avô chamava-se João e era agricultor, morava no sítio com alguns tios e netos. Por ter fumado durante muitos anos e ter se recusado a fazer tratamento, adquiriu uma tuberculose. Era uma tosse que não tinha fim... Até que seus pulmões foram se debilitando e quando resolveu procurar ajuda já era tarde: os pulmões estavam comprometidos e os remédios eram apenas paliativos.
Lembro como hoje o dia em que ele faleceu: dia 24 de dezembro de 2005. Essa data parecia me perseguir para trazer recordações tristes. Lembro que eu estava me arrumando para passar o primeiro Natal na casa do meu namorado (meu esposo hoje). Estávamos juntos desde 2004, mas o nosso Natal de 2004 não foi muito bom, pois ele estava com uma infecção intestinal. Então, eu ia passar o Natal na casa dele e estava muito feliz e esperançosa de que aquele fosse um Natal diferente, mais alegre, animado. Que nada! Naquele dia à tarde, um de meus primos ligam para minha mãe avisando que meu avô estava em suas últimas horas. Não cortamos conversa e fomos direto para lá. Da cidade onde eu moro até o sítio que ele morava dava mais ou menos 1h30h de carro, pois ainda pegávamos estrada de terra. Não sei como consegui dirigir nesse dia e chegamos lá em 45 min. Só que chegamos lá tarde demais, ele já havia falecido!! Nosso Natal, mais uma vez, não existiria. Passamos a noite velando o corpo e no dia 25 ele foi enterrado.
Mais lembranças ruins ficaram em nossas mentes e em nossos corações, fazendo com que não gostássemos do Natal e não encontrássemos motivos para comemorar essa data, que é tão linda.

Esse ano temos a esperança de que seja diferente, pois provavelmente Kamille nascerá dia 24. Quando o médico sugeriu esta data fiquei meio apreensiva, mas depois concordei. Muitas pessoas disseram: “Mulher, logo na noite de Natal?!”. Pois é, logo esse dia e só eu sei o que essa data significa para mim: tristeza, dor, solidão!!
Se Kamille realmente vier nesse dia (pois ela poderá vir antes e também será muito bem vinda!), será o melhor presente que Papai do Céu/Noel poderia me dar. Para tirar toda essa angústia do meu peito e para que eu possa, realmente, comemorar o nascimento do filho de Deus e o da minha filha. Só Deus pode me dar - ou não - esse presente. Confio Nele e entrego minha filha a Ele. Ele saberá a hora certa de me dar essa felicidade.
Vou esperar e torcer... independente da data, só quero que minha filha venha com muita saúde e que seja tudo tranquilo! Só sei que a partir desse ano, o mês de dezembro não será mais de luto, mas sim de felicidade e de comemoração!!!


                       Esse é o vovô da Kamille (meu pai!)


SAUDADE

Ante os mortos queridos,
Faze silêncio e ora.
Ninguém pode apagar
A chama da saudade.
Entretanto se choras,
Chora fazendo o bem.
A morte para a vida
É apenas mudança.
A semente no solo
Mostra a ressurreição.
Todos estamos vivos
Na presença de Deus.

(Emmanuel)
Médium Chico Xavier
Do livro “Fonte de Paz”


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Eu e Kamille vamos adorar seu recadinho!!